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riscos_e_rabiscos

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Pepper no meio do granizo (take 2)

Aproveitei a pausa em que estava a chover menos e saí da escola. Mesmo na altura em que estava a passar na paragem do autocarros, passa aquele que nunca apanho por demorar mais tempo. Mas tendo em conta a chuvada que tinha caído - que a esta altura eu ainda não sabia a sua real dimensão - resolvi apanhar para ver se me safava ao mau tempo.

 

Como sempre, a esta hora este autocarro vem à pinha. Eu entrei, segurei-me a concheguei-me onde pude. Duas paragens mais abaixo, começámos a apanhar uma fila "parada". Estranho. Primeiro pensámos que tivesse sido algum acidente ou carro avariado mas mais à frente percebemos que a circulação estava condicionada pela água na estrada que estava ao nível dos separadores centrais da estrada.

 

Ao chegarmos perto de uma estação dos combóios, começámos a ver as linhas completamente submersas e o pessoal começou a dizer, receoso, que não haveria combóios. A passo de caracol, o autocarro começou a andar e começámos a ver os passeios todos brancos do granizo. Mais à frente eram as avenidas principais com gelo de um passeio ao outro, as folhas das árvores todas partidas no chão e os carros cobertos de folhas e granizo. Em certas zonas, os carros estavam entalados no granizo, nem se viam as rodas. A circulação estava mesmo parada.

 

Estive duas horas em pé nos autocarros, aos solavancos. Já não aguentava mais os pés e a coluna. Ainda por cima tinha a mala pesadíssima com as coisas da escola. Estava rezar a todos os santinhos para chegar a casa o mais rápido possível ou o mais provável era desmaiar ali mesmo. Ainda tirei algumas fotos com o telemóvel de algumas partes que consegui mas a visão de onde eu estava não era das melhores.

 

Quando finalmente chego a casa, da minha mãe, recebo uma chamada da minha vizinha do lado "venha depressa, o sotão tem água pelos joelhos... a minha casa está toda inundada e a sua deve estar igual". Respondi-lhe que daí a dez minutos já lá estaria pois era o tempo do N. me apanhar de carro.

 

Assim que estaciono na parte de trás do meu prédio vejo um "rio" a cair do tecto. Eu nem tinha percebido que o "barulhão" que estava a ouvir era a água a cair, pensei que fosse algum miúdo a bater com qualquer coisa.

Subi as escadas a voar até ao terceiro andar, abri a porta e fui inspeccionar a casa. Cozinha encharcada, tecto da casa-de-banho a pingar e mais algumas pequenas humidades mas nada de especial. Dirijo-me ao sótão. Estavam todos a tirar a água e eu juntei-me ao grupo. Eram baldes e baldes de água a deitar fora. Os "berlindes" do granizo fizeram placa, não deixaram passar a água que caiu posteriormente e esta entrou para o sotão. Conseguimos limpar tudo e desfazer o granizo.

 

Em resumo, a minha vizinha ficou com a roupa e os sapatos que estavam no seu quarto todos molhados, o quarto do bebé também com água e eu com cozinha e casa-de-banho a "pingar".

Só vos digo que, no sábado tinha um cansaço tão grande, mas tão grande em cima, que fui às compras e nem conseguia pensar no que precisava. Estava mesmo em estadp de "zombie".

 

Agora digam lá, não teria sido melhor estar no casamento do William e da Kate a comer um belo manjar?!? E até dava muito menos trabalho...!

 

 

Pepper no meio do granizo (take 1)

Sexta-feira, mais um dia de aulas, mais um final de semana. Comecei o meu dia normalmente, com as aulas dos meus pequeninos. Qundo chegou a altura dos maiorzitos, vejo uma grande “desarrumação” no recreio interior. Vejo pessoas estranhas à escola, vejo uma mesa montada no meio da sala, com toalha, pratos, talheres e copos. Mas para que seria aquilo?

 

Levei as minhas coisas para a sala dos professores onde tencionava trabalhar para adiantar algumas tarefas, e foi então que descobri que iria haver teatro! Senti-me a boiar num mar sem rumo…

 

Chegou à hora do teatro e eu fui perguntar à colegas que estavam a sair da sala se sabiam do espectáculo. Ninguém sabia, o director tinha-se esquecido de avisar! Humpf!

 

Acompanhei as crianças até ao espaço de recreio (o teatro dividia-se entre dois locais diferentes do recreio) e acomodámo-nos para ver a apresentação sobre o 25 de Abril.

 

Enquanto decorria a apresentação começa a chover e a trovejar com toda a intensidade. Já tinha miúdos a dizer-me que estavam com medo da trovoada. Eu própria tenho pavor mas, nestas ocasiões, está tudo muito bem controladinho, e acalmo as crianças. E o que valeu é que, apesar do teatro ser bastante fraquinho, tinha algumas partes de risota completa, o que causou alguns momentos de descompressão para os miúdos.

 

Assim que termina o teatro, sente-se um repentino arrefecimento de temperatura e começa a cair granizo. É claro que foi uma festa para os miúdos! Comecei logo a ouvir “está a nevar”! E apesar de estarmos num recreio coberto, com a força com que o granizo caia, algumas pedrinhas entraram para o espaço de recreio. Escusado será dizer que os miúdos concentraram-se aos magotes junto das pedrinhas para as apanharem. Aquele contacto com as pedrinhas de gelo – que pareciam berlindes – soube-lhes melhor do que pizza e gelado.

 

Fui para a sala dar aulas, e o fenómeno atmosférico adensa-se. Os miúdos começam a ficar brancos e apreensivos. Era cada trovão e relâmpago que até nos fazia dar saltos. É claro que a concentração dos miúdos estava na janela e não no que eu lhe dizia.

 

Tentei mais uma vez criar um ponto de descompressão e lembrei-me de lhes dizer que, para sabermos a que distância está a trovoada, temos de contar os segundos entre o relâmpago e o trovão, sendo que um segundo equivale a um kilómetro. Nem vale a pena dizer que “estraguei” o resto da aula, não é? Fique com a turma toda em suspensão, à espera de ver os relâmpagos para contar os segundos até ao trovão aparecer e ver a que distância estava!

 

Com o final da aula, a tempestade também acalmou e eu aproveitei para sair da escola o mais rápido possível. Mas sabia eu o que me esperava…